segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Loucos e Santos - Oscar Wilde

Poema de Oscar Wilde

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. 
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. 
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. 
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. 
Deles não quero resposta, quero meu avesso. 
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. 
Para isso, só sendo louco. 
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. 
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. 
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. 
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. 
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. 
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. 
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. 
Não quero amigos adultos nem chatos. 
Quero-os metade infância e outra metade velhice! 
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. 
Tenho amigos para saber quem eu sou. 
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

sábado, 17 de novembro de 2012

Talvez

Talvez a minha busca por inteligência emocional nunca acabe, talvez eu passe o resto de meus dias tentando (afinal!) me conhecer... Saber quais são realmente os meus desejos e anseios. Descobrir tudo o que me agrada de verdade e tudo o que não me desce pela garganta, e resolver se o que não me desce pela garganta vale a pena  mesmo empurrar com água! "Tudo" é uma palavra muito longa. É verdade que o diálogo com meu "eu interior" sempre foi complicado, sensível e por vezes até desastroso! Mas devo observar que "talvez" é uma palavra que remete à muita dúvida - e de repente é essa dúvida, que me consome e me magoa, que me define e me explica -  e se vou começar o texto sobre meu eu com uma palavra que remete à inúmeras possibilidades, que ao menos ou aplique-a de uma outra maneira:
Talvez a minha busca por inteligência emocional tenha sucesso, de repente mesmo que em constante procura por autoconhecimento eu consiga alcançar o tal sucesso e realização pessoal. Talvez seja tão difícil me conhecer por que (junto, separado, sem ou com acento?...) estou numa constante mudança de forma que nem eu mesma seja capaz de acompanhar.
E tem tantos livros e vídeos e conselhos e tudo o mais... talvez nada disso faça sentido se eu mesma não me encontrar no meu caos. 
Continuo tentando resolver meus conflitos, talvez funcione agora, talvez não... Enfim, continuo tentando.