domingo, 29 de dezembro de 2024

amadurecimento

Ao passo que a velhice se aproxima, me parece que o passado está mais próximo que o futuro. O futuro, que antes era um mar de sonhos e planos, com muitas expectativas e ideias vai se esvaindo, reduzindo à poucas expectativas e alguns planos mais rasos, ou raros... sem a pretenção de ser algo totalmente novo.

O passado, por sua vez está cada dia mais próximo, sempre te mostrando que tudo passa e que muito já passou... no reflexo do espelho, na disposição para andar, na empolgação (ou falta dela) para brigar pelo que se acredita. Tudo isso (ou a falta disso) vem lembrar, todos os dias que o passado está mais do que nunca, presente, pois tudo o que se vê ao redor, é o passado.

É verdade que tudo o que vemos ou tocamos é, de fato o passado. Nossa capacidade de visão tem um certo "delay" por assim dizer e as palavras que você está lendo agora, na verdade é algo que seu cérebro "identificou" há alguns segundos. 
Estudos demonstram que o que vemos tem um atraso de cerca de 15 segundos, pois o cérebro realmente precisa desse tempo para processar e organizar as imagens. Caso contrário, veríamos apenas borrões. Em suma, estamos sempre olhando o passado, o que reforça a minha ideia de que o passado está sempre mais próximo que o futuro.
Porém, com o crescimento, com as frustrações inerentes a vivência, com as memórias acumuladas, a sensação que se tem é que o passado está sempre ao nosso lado, sombreando nossa vida e norteando nossas decisões.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

sábado, 21 de dezembro de 2024

perto do fim

Estamos perto de mais um 31 de dezembro. 

Finalizando um pedacinho de mais uma dessas abstrações mentais humanas, essa nós chamamos de tempo. "Contar o tempo" nos ajudou a evoluir como sociedade e nos dá um conforto de pensar que temos controle sobre ele. Como se o tempo fosse algo palpável que podemos de alguma forma manipular, ainda que seja através da fragmentação, da contagem.
Penso que o tempo, ainda que particionado, não pode ser medido igualmente, pois a forma como o tempo passa está diretamente ligado a nossa percepção sobre o evento observado... um minuto de abdominal e um minuto de conversa fiada não é igual!
Refletir sobre o tempo e sobre como isso impacta a nossa existência é um exercício fascinante, mas hoje eu estou aqui só para falar sobre a minha percepção do tempo essa semana.
Como todo final de ano, meus dias tem sido corridos e o meu trabalho tem me desafiado rotineiramente. Especialmente nesse mês, tenho tido dias bastante cheios e com muitas tarefas a fazer. Confesso que tanta demanda, costuma me deixar exausta e cansada.
Mas eu não sei ainda qual o motivo, embora meus dias estejam bastante cheios, o trabalho tenha exigido tanto de mim, eu saiba que tenha muitas tarefas e esteja me dedicando muito a tudo... apesar de toda essa rotina, estou simplesmente me sentindo bem.
Essa ano passou bem rápido aos meus olhos, e isso se deve principalmente ao fato de eu ter tido um ano majoritariamente legal. Aprendi coisas novas, retomei atividades antigas, completei outras e larguei várias. rsrs
Estou curtindo, inclusive, esse finalzinho de ano. Apesar de minha rotina corrida e cansativa, tá tudo bem.

Eu sinto que estou, a onde eu queria estar.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

my december


 

sobre solidão

Quero ficar sozinha
E isso não quer dizer em solidão
Mas as vezes, penso que a vida somente será minha
Quando eu mesma pegar em minha mão

No meu pensamento solitário
Eu nunca preciso ter um lado

Estou livre de julgamentos
Ou de sofrimentos

Quero ficar sozinha
Não quero compartilhar nada
Eu só quero que essa dor seja só minha
Quero ficar só em casa


quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

fast car


 

cansaço

Dia desses me peguei pensando em quantas vezes por dia eu digo que estou cansada... ou melhor, quantas vezes por dia eu penso: cansada!
Ultimamente tenho me sentido muito dessa forma e só de pensar em tudo o que eu tenho pra fazer e/ou resolver, me canso! Não que eu me canse fisicamente de minhas atividades (tenho o privilégio de trabalhar com pouco esforço físico). Mas a rotina, os problemas comuns da vida, as coisas mais irrelevantes para o universo que precisam ser realizadas no mundo coorporativo... tudo isso me sulga uma energia que eu considero importante pra me manter viva.

Viva. O que é estar viva dentro dessa rotina estática? Será que a vida é isso mesmo: fazer tudo igual, todos os dias, em troca de pequenas recompensas que de fato não promovem uma mudança significativa em nossas existências?

Veja bem, não é aqui a minha intenção ou pretenção questionar o fato de minha existência ser confortável e agradável. Me agrada viver, gosto de minha vida e tenho muito cuidado pra não me sabotar criando problemas que não tenho. 

Agora, no alto dos meus 35 anos, finalmente tenho uma década sem estar envolvida em brigas ou grandes conflitos. Estou vivendo uma maré de paz e isso me dá um conforto no coração.

Se você, meu caro leitor anônimo, tiver crescido em uma família ligeiramente desestruturada, vai saber do que estou falando. Não ter uma base familiar estruturada faz você estar sempre envolvido em problemas familiares, conflitos internos e externos, que fazem com que a guerra seja mais amigável que a paz.
Me acalma saber que talvez o que eu esteja estranhando seja esse período de paz, de calmaria. Me acalma saber que eu estou questionando a calma por estar acostumada com a guerra.

Mas a pergunta persiste: viver é isso aqui mesmo? Não tem mais nada de interessante e diferente para acontecer nesse instante de tempo no universo que chamamos de vida?

Paulo Freire


Não sei

Sei lá por que me deu pra ter vontade de escrever no blog de novo. O blogger é um desses apps falidos que ninguém mais usa ou lê. As vezes eu acho que ninguém mais lê nada, honestamente.
Não sei o motivo, mas cá estou eu, escrevendo qualquer baboseira que venha em minha mente e... honestamente?! Tem me feito bem.
Algumas coisas não precisam ter explicação lógica ou prática. Só fazer bem.
Há anos eu matinha esse blog com teor mais pessoal, um outro sobre com o que eu trabalho e um terceiro sobre música. Adoro música. Adoro rock.
Por enquanto, voltei a manter esse, mas quem sabe posso voltar com um ou outro em breve... Não sei.
Bora ver o que acontece... É isso, voltei a manter meu blog que escrevo quase nunca.
:)

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

mayonaise

 

♫♪
Fool enough to almost be it
Cool enough to not quite see it
Doomed
Pick your pockets full of sorrow

And run away with me tomorrow
June

Try
And ease the pain somehow
We'll feel the same
Well, no one knows
Where our secrets go
♫♪

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

é sobre isso

É sobre não ter motivo pra gostar de tá perto
Sobre questionar o que é certo 
É sobre sentir seu cheiro num estranho na rua
Sobre andar sozinha e olhar a lua

As vezes, é sobre escrever e pensar no que queria dizer, mas não pode, não deve. Por isso, só escreve.

Escreve palavras soltas como um desabafo, sem rima boa, sem tato. 

As vezes é somente um sentimento: a vontade de tá do seu lado.


sábado, 14 de dezembro de 2024

um lugar pra ficar em paz

Uma praia deserta... Um mar de ondas calmas.  Um Ipê amarelo com um balanço feito de madeira usada. Aquela grama redondinha sabe? Da que nascia no passeio da vizinha... Daquelas que eu só via na infância. Eu estou sentada em uma almofada colorida, com amarelo predominante. É pra esse lugar que eu vou, quando quero ficar em paz.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

invisível

Talvez a existência humana não tenha realmente uma explicação ou um motivo.
Tudo o que temos é um conjunto de abstrações mentais que mantém relativamente uma ordem e ajuda a manter a espécie viva.
O desafio é você sabendo disso, encontrar uma abstração mental que te faça continuar seguindo. Entender que isso não dá sentido a sua existência, mas mantém seu cérebro ocupado.

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Não sei por que o título desse texto ficou "invisível". Porém, como escrevi num momento em que estava ligeiramente alcoolizada, resolvi manter. Acho que existe algum sentido, no final das contas era como eu estava me sentindo. Me sentindo invisível ao pensar que no final das contas, a minha própria existência não tem explicação ou motivo.
No dia seguinte, acordei, li o que tinha escrito e adicionei essa nota. 

sábado, 7 de dezembro de 2024

despretenção

Há anos eu não tenho vontade de escrever. Mentira. Sempre tenho vontade de escrever. Confesso que conforme os anos passaram, passei a penser ser um pouco pretencioso o ato de escrever. O que eu procuro quando tento expressar meus pensamentos através de palavras em um blog on line. Ninguém mais lê blog. E se alguem lê, o que eu pretendo causar com a expressão de meus pensamentos em caracteres?

Será que é realmente possível expressar através da escrita, com clareza, o que se pensa? Não sei. Mas com o passar dos anos, passei a postergar a escrita e realmente não sei até que ponto isso moldou a forma como eu consigo expressar meus pensamentos. 

Nunca fui realmente boa com argumentos verbais, e isso fez, por vezes eu questionar a minha inteligência. Com a maturidade, percebi que ganhar uma discursão, apresentar o melhor argumento ou até mesmo "ter razão" não atesta grau de inteligência, e ainda que assim fosse, que porra é essa que estamos chamando de inteligência mesmo?

Há nos tenho vontade de escrever. Hezito, por pensar que um texto despretencioso como esse não interesse a ninguém, além, de mim mesma. Escrever sempre foi mais sobre expressar a minha personalidade do que sobre agradar a quem lê. Espero que ninguem leia, ninguém mais lê blog. Fico pensando quanto de mim eu tenho deixado pra trás, numa rotina que não me permite mais escrever. Ou ler.

Hoje estou escrevendo estas palavras despretenciosamente. Não quero nada, não anseio por nada. Mentira. Quero me conectar comigo novamente, quero sentir o que me move, o que me motiva. Quero lembrar o que vai me fazer acordar amanhã. Espero que a escrita me lembre algo que eu tinha esquecido, mas que era importante; e que me desconecte daquilo que ainda me prende. 

Estou voltando (mais uma vez) para o blog com essas palavras, que definitivamente não tem despretenção.