Não faz muito tempo que conheci a história do ilustre Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield. Juiz federal aposentado, formado em direito pela USP e descendente de britânicos. Na verdade, José Eduardo Franco dos Reis, além de falsificar seu nome, falsificou também uma história. História essa, que me intrigou e me entreteu por alguns dias. Além de falsificar o nome que manteve por décadas, o ilustre Edward, que afirmava ser descendentes de ingleses, mantinha hábitos de seus familiares, como tomar chá a tarde, por exemplo.
Para além das manchetes que vão explorar ou tentar explicar porquê o brasileiro fraudou o sistema e emitiu não apenas um RG com nome falso, mas carteira de habilitação, passaporte e até reservista com o nome de Edward, fiquei também curiosa em entender como um jovem de vinte e poucos anos conseguiu fraudar seus documentos e viver normalmente por 45 anos com o nome fraudado, se formando pela USP, atuando e se aposentando como Juiz, inclusive com relatos de que em alguns processos ele citava como era fácil emitir documentos falsos no Brasil. A propósito, o nome escolhido por ele para viver era um nome no mínimo curioso. Além de longo, extremamente incomum para um brasileiro é quase como uma brincadeira com o sistema, quase como se ele quizesse ou soubesse que seria pego. Foi pego em 2025, pelo poupatempo em São Paulo, ao tentar retirar uma segunda via do RG.
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| Estátua A justiça de Alfreto Ceschitti sendo lavada após atos golpistas de 08.01.2023 |
Essa história pode ser explorada por várias óticas, incluindo a ótica da psicologia (o que daria uma história bem interessante), porém, eu quero me ater aqui a ótica das instituições brasileiras e como a burocracia exagerada propicia a existência de outros casos como esse. Não tenho aqui a pretenção de falar sobre conceitos, pois não tenho conhecimento para tal, a ideia é colocar no papel uma reflexão sincera sobre o que eu acredito que precisa ser feito para construirmos um sistema mais eficiente. Também não quero fazer juízo de valor sobre as ações do Sr José Eduardo, pouco me importa o nome que ele usou por todos esses anos e realmente não saberia dizer quais os impactos reais desse caso isoladamente para a sociedade.


