sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sobre a felicidade

Eu vi um homem fazendo malabarismo no sinal, sonhando com um mundo mais justo... Eu vi um homem entregando jornal, sonhando com um mundo sem preconceitos... Eu vi uma mulher lavando roupas no rio, sonhando com um futuro melhor pra seu filho... Eu vi uma criança cortando cana, sonhando com um mundo menos frio...
E essa estranha frieza nas pessoas, que nos gela a alma.
Sonho com um mundo mais quente... Mais cheio de amor e partilha. E enquanto sonho, não fecho os olhos para esse mundo... Por que eu vi a mulher que sonhava, triste enquanto batia com a roupa molhada na pedra, mas também vi o jovem que acorda cedo, caminha duas horas pra estudar e chega na escola feliz e disposto, dando orgulho pra sua mãe que lava a roupa. Vi o professor satisfeito de ver a sala cheia, as crianças estudando...
Vi o homem que fazia malabarismo no sinal dando uma lição de persistência e coragem. Coragem de usar o seu talento para conseguir se manter, em vez de usar da força sobre os mais fracos.
Vi o estudante que trabalha oito horas diárias e estuda mais quatro. Trabalha e estuda por um objetivo. Prosperar de maneira lícita.
E eu vi a senhora que trabalhou na roça por vinte anos... Mais dez na indústria... Varrendo o chão de grandes executivos... Mas nem por isso se sentiu menor, em nenhum momento de seus setenta e cinco anos. Eu a vi já idosa, porém disposta. Mesmo após educar sete filhos, sofrer a perda de seu marido apenas com trinta anos. Mesmo após ver suas irmãs lhe darem as costas... Mesmo após ver sua neta mais jovem partir derrepente... Mesmo assim, ela me diz: sempre passei muito bem.
Existem muitas formas de ser feliz.