domingo, 5 de janeiro de 2025

uma semana cheia

Domingo, poderia estar aproveitando bons momentos, lendo um bom livro, aproveitando uma conversa agradável. Mas no meio da tarde ensolarada ela só pensa em uma coisa. 

Engraçado, com o passar dos anos essa sensação foi lhe consumindo quase que sem ser percebida. Primeiro ela o fazia por obrigação social, meio que é algo que faz parte da existência na sociedade. Com o passar de alguns poucos anos passou a ser uma necessidade não apenas social, mas existencial. Não tinha mais o seio familiar para retornar sempre que necessário, portanto, passou a fazer por pura e simples sobrevivência. Era necessário, era fundamental e obrigatório.

Segunda-feria, poderia estar decretando feriado, como Paulo Coelho, andando, saindo. Mas nem o cantar de Raul Seixas a desconectaria de sua sincronia com a máquina. Ela e a máquina era apenas uma, o que ela fazia, através da máquina a mantia seguindo. Estava viva superficialmente, artificialmente.

Terça. A obrigação, com o passar dos anos passou a ser parte do que ela é. Não mais fazia por necessidade, apesar de sim, a necessidade continuar sempre ali, presente. Mas com o tempo, não era mais a necessidade que a movia, era a sensação de que aquilo a representava. Como se fazer era o que a representava como pessoa, como indivíduo na sociedade, como mulher.


Quarta-feira, queria estar como Luedji Luna, andando a cidade inteira, saindo pra te procurar, tomando um banho de folhas, alimentando alguma esperança... Mas está fazendo novamente, sendo criticada, ouvindo as criticas, ponderando, ou não. Refazendo.


É quinta e lá está ela novamente, fazendo o que disseram que ela deveria fazer. Faz com excelência, recebe reclamações, finge que não ouviu, faz tudo novamente igual, só que diferente. Já é o suficiente pra estar cansada, pra ela, a semana nunca iniciou ou terminou, é um grande ciclo que nunca termina de coisas a fazer.

Sextou. Pra toda a vizinhança o motivo é de festa, as comemorações não tem limites. Pra ela, é só mais um dia. Cansaço faz parte de sua rotina, não consegue mais ter uma visão otimista sobre as coisas. Só é possível pensar na nova tarefa que precisa executar mecanicamente para que possa seguir fazendo mais do mesmo.

Sábado, o dia tá ensolarado mas não pra nossa protagonista. Ela continua protagonizando uma história que não é a sua, através de abstrações sociais que a mantém fazendo novamente o que lhe foi dito pra ser feito. Remunerado ou não.

Domingo de novo, ela só consegue pensar em Yago Oproprio. Realmente Parece que todos os domingos são banais, se não olhamos as coisas se tornam fatais. Agora ela está escrevendo. Escreve pra lembrar que ela não é o que ela faz por obrigação social, existencial ou algumas vezes por vício. Escreve para lembrar do que ela realmente é. Mesmo que ainda não tenha certeza disso.