sábado, 7 de dezembro de 2024

despretenção

Há anos eu não tenho vontade de escrever. Mentira. Sempre tenho vontade de escrever. Confesso que conforme os anos passaram, passei a penser ser um pouco pretencioso o ato de escrever. O que eu procuro quando tento expressar meus pensamentos através de palavras em um blog on line. Ninguém mais lê blog. E se alguem lê, o que eu pretendo causar com a expressão de meus pensamentos em caracteres?

Será que é realmente possível expressar através da escrita, com clareza, o que se pensa? Não sei. Mas com o passar dos anos, passei a postergar a escrita e realmente não sei até que ponto isso moldou a forma como eu consigo expressar meus pensamentos. 

Nunca fui realmente boa com argumentos verbais, e isso fez, por vezes eu questionar a minha inteligência. Com a maturidade, percebi que ganhar uma discursão, apresentar o melhor argumento ou até mesmo "ter razão" não atesta grau de inteligência, e ainda que assim fosse, que porra é essa que estamos chamando de inteligência mesmo?

Há nos tenho vontade de escrever. Hezito, por pensar que um texto despretencioso como esse não interesse a ninguém, além, de mim mesma. Escrever sempre foi mais sobre expressar a minha personalidade do que sobre agradar a quem lê. Espero que ninguem leia, ninguém mais lê blog. Fico pensando quanto de mim eu tenho deixado pra trás, numa rotina que não me permite mais escrever. Ou ler.

Hoje estou escrevendo estas palavras despretenciosamente. Não quero nada, não anseio por nada. Mentira. Quero me conectar comigo novamente, quero sentir o que me move, o que me motiva. Quero lembrar o que vai me fazer acordar amanhã. Espero que a escrita me lembre algo que eu tinha esquecido, mas que era importante; e que me desconecte daquilo que ainda me prende. 

Estou voltando (mais uma vez) para o blog com essas palavras, que definitivamente não tem despretenção.