Dia desses me peguei pensando em quantas vezes por dia eu digo que estou cansada... ou melhor, quantas vezes por dia eu penso: cansada!
Ultimamente tenho me sentido muito dessa forma e só de pensar em tudo o que eu tenho pra fazer e/ou resolver, me canso! Não que eu me canse fisicamente de minhas atividades (tenho o privilégio de trabalhar com pouco esforço físico). Mas a rotina, os problemas comuns da vida, as coisas mais irrelevantes para o universo que precisam ser realizadas no mundo coorporativo... tudo isso me sulga uma energia que eu considero importante pra me manter viva.
Viva. O que é estar viva dentro dessa rotina estática? Será que a vida é isso mesmo: fazer tudo igual, todos os dias, em troca de pequenas recompensas que de fato não promovem uma mudança significativa em nossas existências?
Veja bem, não é aqui a minha intenção ou pretenção questionar o fato de minha existência ser confortável e agradável. Me agrada viver, gosto de minha vida e tenho muito cuidado pra não me sabotar criando problemas que não tenho.
Agora, no alto dos meus 35 anos, finalmente tenho uma década sem estar envolvida em brigas ou grandes conflitos. Estou vivendo uma maré de paz e isso me dá um conforto no coração.
Se você, meu caro leitor anônimo, tiver crescido em uma família ligeiramente desestruturada, vai saber do que estou falando. Não ter uma base familiar estruturada faz você estar sempre envolvido em problemas familiares, conflitos internos e externos, que fazem com que a guerra seja mais amigável que a paz.
Me acalma saber que talvez o que eu esteja estranhando seja esse período de paz, de calmaria. Me acalma saber que eu estou questionando a calma por estar acostumada com a guerra.
Mas a pergunta persiste: viver é isso aqui mesmo? Não tem mais nada de interessante e diferente para acontecer nesse instante de tempo no universo que chamamos de vida?